Sua máquina pode estar falhando por causa da graxa industrial errada

Usar a graxa industrial errada não reduz apenas a eficiência, pode comprometer componentes inteiros e antecipar falhas que eram evitáveis.

A escolha correta da graxa industrial é uma das decisões mais impactantes dentro de um programa de lubrificação industrial. 

Ela protege rolamentos, mancais e superfícies de contato contra atrito, desgaste, corrosão e contaminação e determina diretamente quanto tempo um componente vai durar.

Diferente dos óleos lubrificantes, a graxa retém o lubrificante no ponto de aplicação por mais tempo. 

Isso a torna ideal para componentes de difícil acesso, pontos sujeitos à contaminação por água ou poeira e situações em que a substituição frequente de óleo seria inviável operacionalmente.

O que é graxa industrial?

Graxa industrial é um lubrificante semissólido formado pela combinação de um óleo base com um espessante e, em muitos casos, aditivos específicos. 

Sua consistência impede que escorra do ponto de aplicação, mesmo sob variação de temperatura e carga.

Três componentes definem o desempenho de uma graxa:

  • Óleo base — determina as propriedades lubrificantes fundamentais;
  • Espessante — define a consistência, a estabilidade e a faixa de temperatura de uso;
  • Aditivos — conferem propriedades complementares, como resistência à oxidação, à corrosão e à extrema pressão.

Qual a função da graxa na lubrificação industrial?

Na lubrificação industrial, a função principal da graxa é criar uma película protetora entre superfícies em movimento relativo. 

Essa película separa as superfícies, reduz o atrito e dissipa parte do calor gerado pela operação.

Além de lubrificar, a graxa atua como selante: impede a entrada de água, poeira e partículas metálicas nos componentes protegidos, especialmente em ambientes agressivos como mineração, siderurgia e agroindústria.

Graxa para máquinas industriais: proteção contra desgaste

O desgaste ocorre quando as superfícies em contato perdem a separação do filme lubrificante. 

A graxa para máquinas industriais impede esse contato, protegendo componentes de alto custo, como rolamentos de precisão, guias lineares e engrenagens.

Lubrificação insuficiente ou com produto inadequado é uma das causas mais frequentes de falha prematura em equipamentos industriais e também uma das mais evitáveis, desde que a especificação técnica seja feita corretamente.

Tipos de graxa industrial

Os tipos de graxa variam conforme o espessante, o óleo base e os aditivos incorporados. Cada formulação é desenvolvida para condições operacionais específicas.

Graxa branca

Graxa branca é um lubrificante semissólido com espessante de lítio ou complexo de lítio, reconhecido pela coloração clara e indicado para ambientes que exigem higiene rigorosa. É a escolha padrão para a indústria alimentícia, farmacêutica e de cosméticos.

Em formulações para o setor alimentício, a graxa branca conta com certificação NSF H1, que autoriza o contato acidental com alimentos, requisito regulatório para esse tipo de aplicação.

Quando não usar: em aplicações de alta temperatura ou alta carga sem aditivos EP específicos. A formulação padrão não suporta condições extremas de pressão ou calor.

Graxa grafitada

Graxa grafitada é um lubrificante semissólido que incorpora grafite como aditivo sólido de extrema pressão. 

O grafite atua como lubrificante sólido nos pontos em que o filme de óleo convencional seria insuficiente, especialmente sob altas cargas, baixas velocidades e movimentos oscilantes.

  • Aplicações típicas: articulações de equipamentos pesados, pinos e buchas sujeitos a cargas de choque, como os encontrados em equipamentos de mineração e construção civil.
  • Quando não usar: em rolamentos de alta velocidade. O grafite pode interferir no filme lubrificante e na dissipação de calor nesses componentes.

Graxa alta temperatura

Graxa de alta temperatura é uma formulação com espessantes e óleos base que mantêm consistência e propriedades lubrificantes mesmo sob calor elevado, condição em que graxas convencionais perdem viscosidade e escorrem do ponto de aplicação.

Aplicações típicas: fornos industriais, secadores, equipamentos de cerâmica e qualquer componente próximo a fontes contínuas de calor.

Para detalhes técnicos sobre especificação nessa faixa, o conteúdo sobre graxa alta temperatura aprofunda os critérios de seleção para cada aplicação.

Quando não usar: em componentes que operam em baixa temperatura sem variação, graxas de alta temperatura podem apresentar consistência excessiva na partida a frio, gerando resistência ao movimento.

Aplicações industriais da graxa

A graxa industrial está presente em praticamente todos os pontos de lubrificação de uma planta produtiva, com maior concentração nos componentes rotativos e articulações.

Lubrificação de rolamentos

Os rolamentos são os componentes que mais demandam graxa industrial e os que mais sofrem quando ela é aplicada de forma incorreta.

Segundo estudo publicado pela Bearing News (RKB Bearing Industries), lubrificação inadequada responde por aproximadamente 80% das falhas em rolamentos; a graxa, por sua vez, é o lubrificante utilizado em 90% de todos os rolamentos industriais.

A quantidade incorreta é tão prejudicial quanto o tipo errado: o excesso gera calor por cisalhamento, porque os elementos rolantes precisam vencer a resistência do lubrificante a cada revolução e degrada o lubrificante prematuramente.

A quantidade insuficiente expõe as superfícies ao contato metálico direto.

A SKF desenvolve uma linha completa de graxas industriais para rolamentos, com formulações projetadas para diferentes faixas de temperatura, níveis de carga e condições de contaminação, cada produto desenvolvido para manter o filme lubrificante adequado e preservar a integridade do componente ao longo do tempo.

Para aplicação precisa e sem desperdício, as ferramentas para lubrificação industrial corretas fazem diferença direta no resultado.

Lubrificação de mancais

Mancais de deslizamento e mancais de rolamento são aplicações frequentes de graxa industrial. 

Em mancais expostos a contaminantes, a graxa funciona como barreira física contra a entrada de partículas e umidade, prolongando o intervalo entre intervenções de manutenção.

A frequência de relubrificação depende das condições de operação, da temperatura do ambiente e do tipo de graxa especificado para cada ponto.

Como escolher a graxa industrial correta?

A seleção adequada exige análise das condições reais de operação. 

Usar a graxa errada pode ser tão prejudicial quanto não lubrificar.

Temperatura de operação

A faixa de temperatura é o critério mais importante na seleção de graxa para máquinas industriais

A graxa deve manter consistência e propriedades lubrificantes desde a temperatura de partida até a máxima de operação contínua.

Graxas com ponto de gota abaixo da temperatura de operação perdem consistência, escorrem do ponto de aplicação e deixam o componente desprotegido, mesmo que a lubrificação tenha sido feita corretamente.

Carga e tipo de solicitação mecânica

Aplicações com carga elevada ou impactos frequentes exigem graxas com aditivos de extrema pressão (EP). 

Esses aditivos formam uma camada protetora química nas superfícies de contato quando a pressão excede a capacidade do filme lubrificante convencional.

Para mapear e definir a especificação correta para cada ponto da planta, um plano de lubrificação estruturado é o caminho mais eficiente, ele documenta tipo de graxa, quantidade, frequência e método de reaplicação para cada componente.

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FAQ — Graxa industrial

Para que serve a graxa industrial? 

A graxa industrial reduz o atrito entre superfícies em contato, protege componentes contra desgaste, corrosão e contaminação por partículas e umidade. Sua consistência semissólida mantém o lubrificante no ponto de aplicação mesmo sob variações de temperatura e carga.

Quais são os principais tipos de graxa industrial? 

Os principais tipos são graxa branca (com espessante de lítio, indicada para ambientes limpos e setor alimentício), graxa grafitada (com grafite como aditivo EP, para altas cargas e movimentos oscilatórios) e graxa alta temperatura (para componentes expostos a calor elevado). A escolha depende das condições de operação de cada ponto.

Qual a melhor graxa para rolamentos industriais? 

Não existe resposta única. A melhor graxa para rolamentos depende da temperatura de operação, da carga aplicada, da velocidade de rotação e do ambiente. Rolamentos em ambientes úmidos exigem proteção anticorrosiva; os de alta temperatura demandam formulações específicas. A consulta ao fabricante do equipamento é o caminho correto.

O que acontece com excesso de graxa em um rolamento? 

O excesso gera resistência ao movimento dos elementos rolantes, elevando a temperatura interna por cisalhamento. Essa elevação degrada o lubrificante mais rapidamente e pode causar falha prematura do rolamento, mesmo com a lubrificação sendo feita regularmente.

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